{"id":1503,"date":"2021-04-06T15:31:37","date_gmt":"2021-04-06T18:31:37","guid":{"rendered":"http:\/\/associacaomedicacascavel.com\/?p=1503"},"modified":"2021-04-06T15:31:37","modified_gmt":"2021-04-06T18:31:37","slug":"a-psicologia-na-dor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/2021\/04\/06\/a-psicologia-na-dor\/","title":{"rendered":"A PSICOLOGIA NA DOR"},"content":{"rendered":"<body>\n<p><\/p><div>(A DIMENS\u00c3O PSICOL\u00d3GICA DA DOR)<\/div>\n\n\n\n<p>O sistema complexo que envolve as dimens\u00f5es de dor (sensitiva-discriminativa, afetiva-motivacional, cognitiva-avaliativa e comportamental) revela que fatores psicol\u00f3gicos s\u00e3o sempre mediadores no processamento da dor, seja ela de origem nociceptiva, neurop\u00e1tica oupsicog\u00eanica.A conceitua\u00e7\u00e3o de dor definida pela IASP (International Association for the Study of Pain) em 1979 afirma isto, quando a dor passa a ser considerada subjetiva. Portanto, cadaindiv\u00edduo aprende a utilizar o termo ou a identificar este desconforto atrav\u00e9s de suas experi\u00eancias traum\u00e1ticas. Sendo assim, as dores s\u00e3o sentidas por uma determinada pessoa, comsua hist\u00f3ria, cria\u00e7\u00e3o, etnia, personalidade, contexto e momento. Conseq\u00fcentemente, para trat\u00e1-las \u00e9 necess\u00e1rio que o profissional procure identificar o significado que cada dor assumiu na vida dessa pessoa.O trabalho e as pesquisas realizadas pelas equipes multiprofissionais nas Cl\u00ednicas de Dort\u00eam encontrado que em todos os tipos de dor (aguda, cr\u00f4nica ou recorrente), na resist\u00eancia \u00e0dor, nos diferentes graus de dor (do mais leve ao mais insuport\u00e1vel) e na express\u00e3o de dor, asvari\u00e1veis psicossociais e culturais matizam o processo \u00e1lgico. Por exemplo, h\u00e1 momentos emque uma  dor forte \u00e9 \u201cesquecida\u201d em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de outro est\u00edmulo, seja de desprazerou de felicidade. Uma m\u00e3e frente ao sofrimento de um filho \u201cesquece\u201d suas pr\u00f3prias dores. Um pr\u00eamio ou uma homenagem pode \u201cdistrair\u201d o contemplado, desviando sua aten\u00e7\u00e3o doprocesso doloroso. Uma crian\u00e7a que enquanto brincava n\u00e3o sentia dor, passa a senti-la na presen\u00e7a dos pais quando acaba a brincadeira.As express\u00f5es de dor variam em fun\u00e7\u00e3o do  grupo \u00e9tnico  e cultural. Por exemplo, pesquisas apontam que latinos expressam mais dor do que anglo-sax\u00f5es. H\u00e1, tamb\u00e9m, estudos queprocuram tra\u00e7ar perfis de personalidade mais comuns entre aqueles que sofrem de quadrosdolorosos, comentando que existem tipos de personalidade: dram\u00e1tica (relata muita dor),propensa \u00e0 dor (pessimista, depressiva) e sofredora (procura chamar a aten\u00e7\u00e3o ou o afeto,manipula o ambiente).No campo das linhas te\u00f3ricas presentes na Psicologia, estudiosos do referencial da Psican\u00e1lise afirmam que quadros dolorosos podem estar presentes sem nenhuma causa f\u00edsica. Processos inconscientes seriam respons\u00e1veis por psicossomatiza\u00e7\u00f5es, deslocando dores ps\u00edquicas para \u00e1reas localizadas em determinadas partes do corpo.  Estas \u00e1reas, segundo esses te\u00f3ricos, podem ter o significado de met\u00e1foras. Por exemplo, uma dor ginecol\u00f3gica pode ser uma met\u00e1fora de dores ps\u00edquicas afetivo-sexuais. Afirmam  tamb\u00e9m que dores podem ser mantidas como al\u00edvio de culpas reais ou imagin\u00e1rias. A dor funcionaria como forma de castigo, imposto, muitas vezes, por cren\u00e7as religiosas. Quadros \u00e1lgicos podem surgir, ainda, como substitui\u00e7\u00e3o de sofrimento em outras \u00e1reas, como por exemplo, em substitui\u00e7\u00e3o ao luto ou \u00e0 fuga de problemas nas rela\u00e7\u00f5es pessoais ou no trabalho.N\u00e3o se pode deixar de citar que existem investiga\u00e7\u00f5es que convergem para a correla\u00e7\u00e3oentre transtornos de humor e da dor. Assim, a ansiedade tem sido observada em casos de doraguda e a depress\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de dor cr\u00f4nica. Uma alta correla\u00e7\u00e3o tem sido verificada entre as vari\u00e1veis medo e dor: quanto maior o medo, maior a dor. Estudos sobre cren\u00e7as e valores tamb\u00e9m t\u00eam trazido importantes contribui\u00e7\u00f5es para cren\u00e7as e a compreens\u00e3o da dor.A abordagem cognitivo-comportamental tem demonstrado quanto os sistemas de cren\u00e7as interferem nos processos \u00e1lgicos e como a forma de enfrentamento (coping) da dor modifica o quadro doloroso, havendo formas de enfrentamento negativas e formas positivas. Ostratamentos fundamentados nesta linha te\u00f3rica t\u00eam, entre outras finalidades, o objetivo darevis\u00e3o de cren\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dor, assim como o ensino de estrat\u00e9gias e de enfrentamentopositivo (Guimar\u00e3es, 1999; Figueir\u00f3, 1999). A Psicologia tem, portanto, trazido elementos essenciais \u00e0 compreens\u00e3o da dor. A cadadia, vem sendo desenvolvido e utilizado um maior n\u00famero de t\u00e9cnicas psicol\u00f3gicas no manejoda mesma. Frente a todos os conhecimentos j\u00e1 adquiridos quanto \u00e0 multidimensionalidade dador, os objetivos atuais dos psic\u00f3logos que  trabalham com estes pacientes s\u00e3o:*a busca do aprofundamento da compreens\u00e3o da dor na sua totalidade;*a busca de recursos psicol\u00f3gicos cada vez mais eficazes de manejo da dor;*o desenvolvimento de formas psicoterap\u00eauticas breves, individuais, grupais ou de fam\u00edlia, focalizando   dor; * o desenvolvimento de  programas  de trabalho psicoeducacional, utilizando v\u00e1rias t\u00e9cnicas, com o paciente envolvendo, muitas vezes, tamb\u00e9m seus familiares e os profissionais de sa\u00fade  que dele cuidam.Dentro deste contexto, existem muitas modalidades de tratamento psicol\u00f3gico do paciente com dor. Somos representantes aqui de tr\u00eas modalidades diferentes entre si, com distintas bases te\u00f3ricas e distintas t\u00e9cnicas de a\u00e7\u00e3o. Com o relato de nossas experi\u00eancias, queremos compartilhar com outros profissionais de sa\u00fade algumas das muitas possibilidades de efetivar este trabalho. Nosso ponto de converg\u00eancia \u00e9 a procura de al\u00edvio da dor e do sofrimento. Na forma de atendimento individual ou grupal, nossos esfor\u00e7os se concentram em compreender e ajudar o paciente a compreender a sua dor, a control\u00e1-la e, se poss\u00edvel, a super\u00e1-la.Uma noite deitado em uma rede, sem sentir dor nenhuma, me veio a id\u00e9ia de escrever um poema para minhas m\u00e3os e saiu isto;M\u00c3OSHoje olhei minhas m\u00e3osAs rugas do tempo nelas encravadasS\u00e3o marcas que  contam, em cada pontoO tanto de que na vidaPor mais que n\u00e3o queiram tem desconto.Foram elas que escreveram durante minha vidaNos dois dedos firmes polegar e indicativoAmararam pontos de um corte traum\u00e1ticoE receberam uma crian\u00e7a de um parto que estava moribundoQue as avessas da sa\u00fade em desequil\u00edbrioTentava arrancar algu\u00e9m deste mundo:Que no term\u00f4metro segurou mil vezesPara medir temperaturas reais e dos desenganosE cerrou olhos cadav\u00e9ricosE deu alivio \u00e0 dor e frieza dos humanos.Foi ela que serrou o osso duro na amputa\u00e7\u00e3oFoi ela que segurou firme o descontroladoE amaciou no afago o descontente e infelizE tamb\u00e9m e rosto de quem estava ao meu lado.Foi ela que deu \u00e0 m\u00e3o a outras m\u00e3osNo caminhar da crian\u00e7a nas enfermarias da vidaQue segurou a vela de muitas despedidasE acenou desconcertado o adeus de sua partida.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p><div>Dr. L\u00e9lio M\u00e1rcio de Oliveira \u2013 M\u00e9dico neurologista<\/div>\n<\/body>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(A DIMENS\u00c3O PSICOL\u00d3GICA DA DOR) O sistema complexo que envolve as dimens\u00f5es de dor (sensitiva-discriminativa, afetiva-motivacional, cognitiva-avaliativa e comportamental) revela que fatores psicol\u00f3gicos s\u00e3o sempre mediadores no processamento da dor, seja ela de origem nociceptiva, neurop\u00e1tica oupsicog\u00eanica.A conceitua\u00e7\u00e3o de dor definida pela IASP (International Association for the Study of Pain) em 1979 afirma isto, quando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1506,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-1503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1503"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1505,"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1503\/revisions\/1505"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}