{"id":1969,"date":"2022-05-11T13:24:04","date_gmt":"2022-05-11T16:24:04","guid":{"rendered":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/?p=1969"},"modified":"2022-05-11T13:24:04","modified_gmt":"2022-05-11T16:24:04","slug":"44-anos-depois-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/2022\/05\/11\/44-anos-depois-parte-ii\/","title":{"rendered":"44 anos depois \u2013 Parte II"},"content":{"rendered":"<body>\n<p>Eu j\u00e1 tinha 2 filhos e fazia Pedagogia. No ano seguinte, entraria para a Faculdade de Medicina.<\/p>\n\n\n\n<p>Incessante produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Declamava suas poesias para p\u00fablicos os mais variados, que o ouviam atentos e encantados por todo o mundo. Declarava que a poesia n\u00e3o precisa de temas sublimes e que o poeta pode escrever tanto para universidades quanto sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Partid\u00e1rio da espontaneidade dirigida, dizia que o poeta deve ter uma reserva de observa\u00e7\u00f5es formais, virtuais, palavras, sons, figuras, essas que passam como abelhas. Em seu bolso, para qualquer situa\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m uma reserva de emo\u00e7\u00f5es, tendo consci\u00eancia delas quando se produzem. Ent\u00e3o, frente ao papel, nos recordaremos desta consci\u00eancia mais vivamente ainda que da emo\u00e7\u00e3o. E quantas vezes isso n\u00e3o acontece conosco, simples poetas?<\/p>\n\n\n\n<p>A tarefa do escritor, segundo Neruda, numa tradu\u00e7\u00e3o livre, tem muito em comum com os pescadores \u00e1rticos. O escritor tem que encontrar o rio e, se o encontra gelado, precisa perfurar o gelo. Deve munir-se de paci\u00eancia, suportar a temperatura e a cr\u00edtica adversa, desafiar o rid\u00edculo, buscar a corrente profunda, lan\u00e7ar o anzol adequado e, depois de tantos e tantos trabalhos, tirar um pequeno peixe. Mas voltar a pescar, contra o frio, contra o gelo, contra a \u00e1gua, contra o cr\u00edtico, at\u00e9 recolher cada vez uma pesca maior.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesca, atividade solit\u00e1ria e paciente, verdadeiramente contribui para a criatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Um belo cap\u00edtulo de seu livro \u201cConfieso que he vivido\u201d, d\u00e1 um destino \u00e0 Poesia. N\u00e3o quer escrever somente para outros poetas, cada um depositando seu poema no bolso do outro e recebendo de volta outro poema. Quer poesia nas pra\u00e7as, em pleno sol, que os livros se desgastem e se despedacem nos dedos da multid\u00e3o humana. A poesia perdeu o v\u00ednculo com o long\u00ednquo leitor e isto precisa ser recuperado. Tem que caminhar na obscuridade e encontrar-se com o cora\u00e7\u00e3o do homem, com os olhos da mulher, com os desconhecidos das ruas, dos que, a certa hora crepuscular ou em plena noite estrelada necessitem n\u00e3o mais do que um s\u00f3 verso. Esta visita ao imprevisto vale tudo o que se andou, tudo o que se leu e aprendeu\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Eu escrevia: esporadicamente, dolentemente, a pedido, espontaneamente, e sucumbia \u00e0 beleza da palavra escrita. Que tem som, ritmo, emo\u00e7\u00e3o, cor, perfume. Na poesia, encontrei este precioso canal a percorrer, subterr\u00e2neo, em dire\u00e7\u00e3o aos meandros de meu ser e cujo material posso jogar, atirar para quem o quiser apanhar. Ou, sorrateiramente, deixa-lo desejar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1973, Pablo Neruda se despedia de seu Chile t\u00e3o amado e do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu j\u00e1 cursava Medicina, j\u00e1 tinha meus filhos e o g\u00e9rmen da poesia. Que agora brota sem medo e muitas influ\u00eancias. Meu sublime \u00e9 o material palp\u00e1vel da vida diuturna e de como a percebo. N\u00e3o quero escrever somente para os poetas.<\/p>\n\n\n\n<p>Helena Lucia Zydan Soria \u2013 M\u00e9dica Ginicologista \u2013 CRM 7488 PR.<\/p>\n<\/body>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu j\u00e1 tinha 2 filhos e fazia Pedagogia. No ano seguinte, entraria para a Faculdade de Medicina. Incessante produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Declamava suas poesias para p\u00fablicos os mais variados, que o ouviam atentos e encantados por todo o mundo. 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