{"id":2098,"date":"2022-09-27T14:54:54","date_gmt":"2022-09-27T17:54:54","guid":{"rendered":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/?p=2098"},"modified":"2022-09-27T15:07:54","modified_gmt":"2022-09-27T18:07:54","slug":"soneto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/2022\/09\/27\/soneto\/","title":{"rendered":"Soneto"},"content":{"rendered":"<body>\n<p>Eu entendo a palavra do soneto. Eu a entendo palavra por palavra, como a vejo. Entendo no mesmo instante em que o poeta a derramou por sobre as folhas. Cada letra encadeada. Cada senten\u00e7a. Cada ponto e ponto e v\u00edrgula. Eu leio o soneto como um bobo com o cora\u00e7\u00e3o na palma das minhas m\u00e3os. O mesmo cora\u00e7\u00e3o que eu entrego a quem eu amo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu invejo o poeta no seu labor. Eu invejo as ideias que v\u00e3o se formando como nuvens se acumulando para chuva. O poema \u00e9 a chuva caindo, inevit\u00e1vel. Devemos aceitar isso e nada mais. O soneto \u00e9 pausa e movimento. \u00c9 enfeite e alegoria. Mas tamb\u00e9m pode ser s\u00e9rio e distante. Apressado e calmo sem perder o compasso. Aquela \u201casa ritmada\u201d da qual tanto se fala. O soneto ama. O soneto odeia. O soneto \u00e9 todas as coisas numa s\u00f3 enquanto seus versos banham o litoral da nossa alma. Lavando toda sujeira. Enchendo a paisagem. Trazendo um pouco de saudade.<\/p>\n\n\n\n<p>O som do soneto \u00e9 pleno de verdade. \u00c9 fato consumado. Uma flecha que alcan\u00e7a sempre o alvo. Ent\u00e3o nos assustamos por algo que pode reter tantas sinceridades. E queremos ser iguais. Queremos ser sinceros e verdadeiros e claros. Queremos o soneto refletindo no que somos e nos somando algo mais, intang\u00edvel. O soneto \u00e9 a cama. \u00c9 a cama onde o amor acontece quando ningu\u00e9m mais esperava. Ou quando todos esperavam, mas n\u00e3o queriam admitir.<\/p>\n\n\n\n<p>O soneto lan\u00e7a tudo para o alto. Esquece as regras de etiqueta e devolve as cores e os brilhos de algu\u00e9m que j\u00e1 n\u00e3o queria mais nada dessa vida. O soneto ressuscita, depois de tr\u00eas dias tem-se o seu milagre. A pedra removida pela luz do amor mais brilhante. Basta apenas um instante e nada mais \u00e9 como j\u00e1 foi.<\/p>\n\n\n\n<p>O soneto chama de volta o casal apaixonado e transforma a noite em dia e o dia em noite, sem nenhum aviso, sem nenhum medo ou culpa. O soneto privilegia as almas que dele se alimentam. E sustenta a vida nas suas mais vari\u00e1veis formas. Tanto antes como agora. Num infinito daquele instante, quando o poeta o rabiscou. O esbo\u00e7o prec\u00e1rio, naquele peda\u00e7o de guardanapo sujo de vinho e sangue. O ac\u00famulo das horas em cada voc\u00e1bulo. A densidade e o peso dos cora\u00e7\u00f5es opressos.<\/p>\n\n\n\n<p>O soneto n\u00e3o conta hist\u00f3rias. Ele n\u00e3o tem a paci\u00eancia da prosa. Ele quer ser r\u00e1pido e intenso como um tombo n\u00e3o evitado.<\/p>\n\n\n\n<p>O soneto n\u00e3o desvia. Ele segue e nos puxa pelo bra\u00e7o mesmo quando n\u00e3o queremos. O soneto toma o espa\u00e7o e ensina o que for preciso. Antes, agora ou depois. Ele n\u00e3o tem pressa para alcan\u00e7ar a todos com suas grandes asas prateadas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Carlos Eduardo dos Santos Martins \u2013 Anestesiologista \u2013 CRM\/PR \u2013 20965.<\/em><\/p>\n<\/body>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu entendo a palavra do soneto. Eu a entendo palavra por palavra, como a vejo. Entendo no mesmo instante em que o poeta a derramou por sobre as folhas. Cada letra encadeada. Cada senten\u00e7a. Cada ponto e ponto e v\u00edrgula. Eu leio o soneto como um bobo com o cora\u00e7\u00e3o na palma das minhas m\u00e3os. 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