{"id":2137,"date":"2022-11-08T14:14:24","date_gmt":"2022-11-08T17:14:24","guid":{"rendered":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/?p=2137"},"modified":"2022-11-08T14:14:24","modified_gmt":"2022-11-08T17:14:24","slug":"os-medicos-escravos-romanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/associacaomedicacascavel.com\/index.php\/2022\/11\/08\/os-medicos-escravos-romanos\/","title":{"rendered":"Os m\u00e9dicos escravos romanos"},"content":{"rendered":"<body>\n<p>Os primeiros m\u00e9dicos romanos incorporaram a magia, os ritos e as t\u00e9cnicas da civiliza\u00e7\u00e3o etrusca, que antecedeu o que conhecemos, hoje, como cultura romana, da qual somos a continuidade, transmigrada que foi para o novo continente americano, no s\u00e9culo XVI. O mais significativo que restou daqueles tempos remotos s\u00e3o as imagens de deuses\/dem\u00f4nios femininos afrodis\u00edacos, que tinham a fun\u00e7\u00e3o de proteger as mulheres em trabalho de parto.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo III a.C., Roma, capital de um vasto imp\u00e9rio, j\u00e1 contava com mais de um milh\u00e3o e meio de habitantes, e a rotina compreendia acordar cedo, comer pir\u00e3o de farinha e feij\u00e3o, al\u00e9m de p\u00e3o sem fermento cozido na brasa e mergulhado em leite ou mel.\u00a0 Trabalhavam, negociavam na parte da manh\u00e3. O almo\u00e7o era uma leve refei\u00e7\u00e3o, consumida em p\u00e9, em restaurantes p\u00fablicos, com frutas, doce, queijo e vinho destemperado \u2013 sempre seguido da sesta. O restante do tempo era dedicado aos encontros pol\u00edticos, banhos, esportes \u2013 como jogo de dados ou xadrez -, atividades l\u00fadicas, liter\u00e1rias e filos\u00f3ficas que terminavam ao anoitecer, com um jantar com carne, peixe, cereais e um mingau de migalhas de p\u00e3o \u2013 essa era a refei\u00e7\u00e3o principal. Quanto mais rico o cidad\u00e3o, mais fausto era o jantar, e mais tarde ele acontecia. As mulheres recebiam aulas de m\u00fasica e dan\u00e7a, e j\u00e1 eram conhecidos os cosm\u00e9ticos faciais de farinha e leite de jumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>De cada tr\u00eas habitantes, um era escravo. Entre eles, os primeiros m\u00e9dicos. A maioria era de origem grega, tendo se destacado o cirurgi\u00e3o Archagathos, escravo liberto que combatia o charlatanismo, muito comum na \u00e9poca. Antes da chegada dos gregos, eram escravos de diversas nacionalidades, sacerdotes, barbeiros e massagistas que prestavam a desacreditada assist\u00eancia m\u00e9dica.\u00a0 Asclep\u00edades, tamb\u00e9m professor de orat\u00f3ria, se destacou por interromper a cerim\u00f4nia f\u00fanebre de um cidad\u00e3o famoso e \u201cressuscitar\u201d o morto. Ele tamb\u00e9m prescrevia gentileza, luz solar, banhos frios, m\u00fasica e abstin\u00eancia de vinho. Reconheceu os efeitos ps\u00edquicos da pneumonia e da pleurisia e definiu claramente condi\u00e7\u00f5es como frenesi, letargia e catalepsia.<\/p>\n\n\n\n<p>Thessalio de Tralles, um fanfarr\u00e3o, oferecia cursos de medicina em seis meses. Sapateiros, pintores de paredes, ferreiros, curtidores, pessoas \u00e1vidas por mudar de ocupa\u00e7\u00e3o, seguiam-no em sua ronda, agrupados em torno de leitos de doentes, enquanto ele dissertava. Sorano de \u00c9faso foi o fundador da obstetr\u00edcia e da ginecologia, e tamb\u00e9m era fil\u00f3sofo, gram\u00e1tico, fidalgo e escritor. Mas, j\u00e1 naquele tempo, havia os cr\u00edticos \u2013 era considerado um p\u00e9ssimo anatomista.<\/p>\n\n\n\n<p>Os enciclopedistas foram, no entanto, os grandes m\u00e9dicos romanos. Aulio Cornelio Celso era chamado \u201cC\u00edcero da Medicina\u201c. Dividiu a terapia em diet\u00e9tica, farmac\u00eautica e cir\u00fargica. Os ferimentos eram tratados conforme a vermelhid\u00e3o, incha\u00e7o, calor e dor \u2013 tudo aplicado na medicina militar, que recebia aten\u00e7\u00e3o especial. Celso relacionava as qualifica\u00e7\u00f5es de um bom cirurgi\u00e3o: juventude, m\u00e3o firme e equilibrada, destreza nas duas m\u00e3os, vis\u00e3o clara e agu\u00e7ada, mente intr\u00e9pida e sujeita \u00e0 piedade. Caio Pl\u00ednio Segundo tinha um insaci\u00e1vel apetite de conhecimento, acumulou tudo o que lia ou ouvia em sua vasta\u00a0<em>Hist\u00f3ria Natural<\/em>, que inclu\u00eda a utiliza\u00e7\u00e3o de plantas medicinais e ch\u00e1s oriundos de excre\u00e7\u00f5es animais, como o crocodilo, al\u00e9m de c\u00e9rebro de camelo e sangue de tartaruga.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da era crist\u00e3, os m\u00e9dicos j\u00e1 eram reconhecidos em sua import\u00e2ncia, levavam seus instrumentos e potes de pomadas em pequenos estojos e usavam almofarizes para preparar seus pr\u00f3prios medicamentos, habitualmente com ervas. N\u00e3o havia botic\u00e1rios. O dia de um m\u00e9dico romano come\u00e7ava ao alvorecer, no Templo da Paz. Dali, geralmente ap\u00f3s ouvir um m\u00e9dico conceituado e experiente, visitava os pacientes em seu\u00a0<em>iatreion\u00a0<\/em>e fazia a ronda em suas resid\u00eancias. Voltava \u00e0 casa para comer, fazer a sesta da tarde e passar o resto do dia em reflex\u00f5es e estudos de Medicina, Literatura, Filosofia ou Gram\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. M\u00e1rcio Couto \u2013 M\u00e9dico Cardiologista \u2013 CRM-PR 14933 \u2013 Membro da diretoria da AMC.<\/em><\/p>\n<\/body>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os primeiros m\u00e9dicos romanos incorporaram a magia, os ritos e as t\u00e9cnicas da civiliza\u00e7\u00e3o etrusca, que antecedeu o que conhecemos, hoje, como cultura romana, da qual somos a continuidade, transmigrada que foi para o novo continente americano, no s\u00e9culo XVI. 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